O número de pessoas navegando mensalmente em residências dobrou nos últimos três anos e alcançou a marca inédita de 24,5 milhões. O número, referente a dezembro de 2008, foi divulgado pelo Ibope e representa 0,5% em relação ao mês anterior. Sobre o mesmo período do ano passado, a margem é de 14,7%. Ao comparar com o mesmo período de 2006, o crescimento foi de 69% e, em relação a 2005, 100%. Naquele ano, havia pouco mais de 12,2 milhões de internautas ativos em domicílios.
Os novos internautas são adultos e idosos, que estão aprendendo a navegar, e ainda passam pouco tempo online, como João Divino Dornelas, 69 anos. O funcionário público aposentado diz que só se senta em frente à máquina quando ela já está ligada e conectada com a rede mundial de computadores. “Converso com meu filho, que mora em Londres”, afirmou.
Para isso conta com o auxílio do neto João Vitor Oliveira, 12 anos. O garoto disse que já tentou muitas vezes ensinar para o avô como ligar o computador e acionar os ícones que possibilitam pesquisas, trocas de mensagens e comunicação de áudio. É o menino que busca na rede mundial o resultado de jogos ou outros que o avô solicita. “Teve até uma vez que ele se sentou para eu ensinar para ele como enviar um e-mail, daí eu expliquei que precisa de um endereço eletrônico e, quando eu disse para ele digitar o @, ele começou a escrever arroba como se fosse o peso do gado”, disse o garoto.
João Divino admite que não está familiarizado com os termos da internet e diz que, por enquanto, não tem interesse em avançar nos conhecimentos. “Por enquanto, fico satisfeito em usar da internet por pouco tempo, só para conversar com meu filho. Meu desinteresse em aprender ainda está em conflito com o interesse do meu neto em me ensinar.”
Internauta jovem consome média de 2 mil páginas por mês
O amadurecimento do perfil do internauta brasileiro provocou, em dezembro, redução da média de consumo, tanto de tempo por pessoa quanto de número de páginas vistas, porque, além de haver muitos adultos e idosos começando a usar a internet, os jovens é que navegam de maneira mais intensa.
Em média, segundo o Ibope, um internauta jovem no Brasil consome mais de 2 mil páginas de internet por mês, 56% mais que um adulto. Isso ocorre porque os jovens passam bastante tempo em sites de relacionamento. Por outro lado, são os internautas adultos que vão além das redes sociais e navegam mais em conteúdos como automóveis, comércio eletrônico, assuntos de casa, moda e notícias.
Na família do engenheiro civil Rogério Silva Pimentel Arantes, 58 anos, encontram-se quase todos esses perfis de internautas. O escritório dele é na própria casa onde residem também a esposa e os dois filhos. Para o trabalho, ele mantém um computador fixo.
A esposa, a funcionária pública Sonia Maria Batista dos Santos Arantes, 49 anos, tem um lap top que a acompanha no trabalho e em casa. Até seis meses atrás, outro computador fixo era utilizado pelos filhos, os estudantes Leonardo Santos Arantes, 18 anos, e Bernardo Santos Arantes, 15 anos.
“Acabei tendo que ceder e comprar outra máquina, mais potente para dar conta de carregar os programas que utilizo para trabalhar e repassei a que eu utilizava para o meu filho caçula, agora são quatro computadores em casa”, disse Rogério Arantes.
Para ele, a rotina em frente ao computador começa ao abrir a caixa de e-mails, depois verificando a movimentação bancária no internet banking. “Aí me volto para o meu trabalho, para o qual normalmente utilizo pesquisas em sites especializados”, disse.
A esposa, além de caixa de mensagens e sites que possibilitam o desempenho da função no trabalho, navega em sites evangélicos. Entre os filhos, o perfil preponderante é o bate-papo. “O mais velho faz muitas pesquisas, enquanto o mais novo adora jogos”, disse.
Na casa, a regra geral é: quando estão os quatro em casa, os computadores são expressamente proibidos. “Senão, não temos convivência em família”, afirmou.
As exceções à regra geral são as regras específicas, que limitam o tempo de navegação dos filhos. “Durante a semana, eles só podem se conectar depois das três da tarde e o máximo para desligar é as dez da noite; já em fins de semana, a gente é mais maleável com os horários, mas frisamos muito com eles que outras atividades também são importantes, como clube, sair com amigos, entre outros”, afirmou Rogério Arantes.
Europeus acessam rede social
Em dezembro de 2008, o tempo de navegação do internauta residencial brasileiro foi de 22 horas e 50 minutos, 4% menos que no mês de novembro e 0,7% menos que em dezembro de 2007. Com isso, em dezembro, a França ocupou a primeira posição entre os países medidos com a mesma metodologia, com 23 horas e 39 minutos, seguida pela Alemanha, que marcou 23 horas e três minutos de navegação por pessoa em residências.
Neste momento, há um forte crescimento na Europa do uso de sites de redes sociais, que são as páginas em que os internautas navegam por mais tempo. Esse intenso uso de sites de comunidades que começou recentemente em outros países já existe no Brasil desde 2005.